sexta-feira, 26 de outubro de 2012

0 O rebaixamento pode fazer bem?

(Torcida do Corinthians lamentando o rebaixamento. Foto: G1)

Jogar a segunda divisão nacional está longe dos planos no início do ano de qualquer clube, principalmente daqueles considerados grandes. Nem o mais pessimista torcedor imagina que sua equipe infelizmente será atingida pelo descenso. Talvez, apenas a torcida do maior rival deseje isso, mas no fundo ela também sabe que isso é difícil de acontecer, pois existe a velha máxima: “Time grande não cai”. O que é errado, pois time grande cai.

O rebaixamento é, de longe, o maior pesadelo de um grande clube, principalmente no Brasil, onde ainda há muito preconceito com equipes que foram rebaixadas. Esse triste fato não acontece por um acaso, mas muitos não percebem isso. Caso seu time vá para a segunda divisão, é preciso analisar o que há por dentro do clube. Ele pode estar vivendo um período político conturbado, estar enfrentando uma grave crise política, ter investido em jogadores errados ou até mesmo a soma desses três fatos durante anos.

Sabemos que junto com o rebaixamento também acontecem vários pontos negativos: é preciso reduzir o preço do ingresso, contratar jogadores menos conhecidos e, infelizmente, aceitar que seu time sumirá de combate internacional por algum tempo. Todavia, poucos sabem que o infeliz descenso também pode ter seus pontos positivos.

Nos últimos anos muitas equipes consideradas grandes foram rebaixadas e poucas não aproveitaram essa experiência triste, para citar exemplos de grandes que enfrentaram a pocilga do futebol nacional: Fluminense, que disputou até a Série C, Botafogo, Palmeiras, Vasco, Corinthians, Grêmio e Atlético-MG. Entre esses clubes, apenas o Botafogo não usou benefícios do rebaixamento.

Os melhores exemplos de clubes que conseguiram usar a descida para Série B como ponto positivo são o Grêmio, o Vasco e o Corinthians, mas em médio prazo todos conseguiram aprender com seus erros passados, menos o Botafogo.

O Grêmio, quando foi rebaixado em 2004, também não havia feito bom campeonato em 2003, quando também brigou até o fim na posição ingrata. Em 2005, quando precisou disputar a Série B, não contava com dinheiro e nem ao menos com prestígio, tanto que precisou fazer um novo time para disputar a competição. Após um acesso difícil, no primeiro ano de volta na elite do futebol do Brasil, conseguiu uma classificação heroica para a Libertadores. Quando disputaram a competição, liderados por Tcheco e com Mano Menezes em excelente momento, chegaram à final e perderam para o Boca Juniors. Nos anos seguintes conquistaram o Gauchão, foram a duas semifinais de Copa do Brasil e um vice-campeonato Brasileiro. Isso mostra que o clube, apesar de não ter ganhado títulos de expressão, voltou a brigar por eles.

O Vasco e o Corinthians também conseguiram boa recuperação e até melhor. O Vasco conseguiu triunfar em 2011 com a Copa do Brasil e ainda levou o vice-campeonato do Brasileirão para São Januário. Em 2012 chegou nas quartas de final da Libertadores, quando foi eliminado pelo próprio Corinthians.

O Timão, por sua vez, foi quem mais aproveitou seu período negro: quando voltou para a elite conquistou a Copa do Brasil e em 2011 o Brasileirão. Em 2012, após toda sua história de espera, o clube conseguiu conquistar a tão sonhada Libertadores da América.

Fluminense e Palmeiras também conseguiram títulos importantes, como a Copa do Brasil do Verdão e o Brasileirão do Fluminense, que está próximo de conquistar outro. Entretanto, a queda do Fluminense já aconteceu há muito. O Atlético-MG parecia que não havia aprendido com o descenso, pois sempre brigava para não cair, entretanto, nessa temporada está mostrando que superou os anos de má fase e novamente está brigando por títulos.

No velho continente também existe o exemplo de superação: a Juventus, após ser rebaixada pelo escândalo de arbitragem, está protagonizando o futebol na Velha Bota há duas temporadas com excelente projeto e jogadores.

Os torcedores e, principalmente, os rivais apenas veem o rebaixamento como um péssimo resultado ao clube e não conseguem ver que ele traz benefícios. Ele ajuda o clube a repensar seu método de administração, faz com que o clube volte a querer brigar por grandes títulos e, algo que ninguém percebe, ele reaproxima o velho e bom torcedor da entidade, pois o verdadeiro torcedor, após estar descrente por causa do rebaixamento, vê que o clube precisa de sua ajuda mais do que nunca e apoia com todas as suas forças.

Por isso, leitores, eu digo que o rebaixamento faz bem. Muito bem. Ele é necessário para todo time que ano após ano bate na porta do Z-4 e nunca melhora. É necessário para o clube desestruturado politicamente e também que não protagoniza nada no futebol nacional há tempos. Afinal, é na hora de dificuldade que mais aprendemos.