(Torcida do Corinthians lamentando o rebaixamento. Foto: G1)
Jogar a segunda divisão
nacional está longe dos planos no início do ano de qualquer clube,
principalmente daqueles considerados grandes. Nem o mais pessimista torcedor
imagina que sua equipe infelizmente será atingida pelo descenso. Talvez, apenas
a torcida do maior rival deseje isso, mas no fundo ela também sabe que isso é
difícil de acontecer, pois existe a velha máxima: “Time grande não cai”. O que
é errado, pois time grande cai.
O rebaixamento é, de
longe, o maior pesadelo de um grande clube, principalmente no Brasil, onde
ainda há muito preconceito com equipes que foram rebaixadas. Esse triste fato
não acontece por um acaso, mas muitos não percebem isso. Caso seu time vá para
a segunda divisão, é preciso analisar o que há por dentro do clube. Ele pode
estar vivendo um período político conturbado, estar enfrentando uma grave crise
política, ter investido em jogadores errados ou até mesmo a soma desses três
fatos durante anos.
Sabemos que junto com o
rebaixamento também acontecem vários pontos negativos: é preciso reduzir o
preço do ingresso, contratar jogadores menos conhecidos e, infelizmente,
aceitar que seu time sumirá de combate internacional por algum tempo. Todavia,
poucos sabem que o infeliz descenso também pode ter seus pontos positivos.
Nos últimos anos muitas
equipes consideradas grandes foram rebaixadas e poucas não aproveitaram essa
experiência triste, para citar exemplos de grandes que enfrentaram a pocilga do
futebol nacional: Fluminense, que disputou até a Série C, Botafogo, Palmeiras,
Vasco, Corinthians, Grêmio e Atlético-MG. Entre esses clubes, apenas o Botafogo
não usou benefícios do rebaixamento.
Os melhores exemplos de
clubes que conseguiram usar a descida para Série B como ponto positivo são o
Grêmio, o Vasco e o Corinthians, mas em médio prazo todos conseguiram aprender
com seus erros passados, menos o Botafogo.
O Grêmio, quando foi
rebaixado em 2004, também não havia feito bom campeonato em 2003, quando também
brigou até o fim na posição ingrata. Em 2005, quando precisou disputar a Série
B, não contava com dinheiro e nem ao menos com prestígio, tanto que precisou
fazer um novo time para disputar a competição. Após um acesso difícil, no
primeiro ano de volta na elite do futebol do Brasil, conseguiu uma classificação
heroica para a Libertadores. Quando disputaram a competição, liderados por Tcheco
e com Mano Menezes em excelente momento, chegaram à final e perderam para o
Boca Juniors. Nos anos seguintes conquistaram o Gauchão, foram a duas semifinais
de Copa do Brasil e um vice-campeonato Brasileiro. Isso mostra que o clube,
apesar de não ter ganhado títulos de expressão, voltou a brigar por eles.
O Vasco e o Corinthians
também conseguiram boa recuperação e até melhor. O Vasco conseguiu triunfar em 2011 com a Copa do Brasil e ainda levou o vice-campeonato do Brasileirão para
São Januário. Em 2012 chegou nas quartas de final da Libertadores, quando foi
eliminado pelo próprio Corinthians.
O Timão, por sua vez, foi
quem mais aproveitou seu período negro: quando voltou para a elite conquistou a
Copa do Brasil e em 2011 o Brasileirão. Em 2012, após toda sua história de
espera, o clube conseguiu conquistar a tão sonhada Libertadores da América.
Fluminense e Palmeiras
também conseguiram títulos importantes, como a Copa do Brasil do Verdão e o
Brasileirão do Fluminense, que está próximo de conquistar outro. Entretanto, a
queda do Fluminense já aconteceu há muito. O Atlético-MG parecia que não havia
aprendido com o descenso, pois sempre brigava para não cair, entretanto, nessa
temporada está mostrando que superou os anos de má fase e novamente está
brigando por títulos.
No velho continente também
existe o exemplo de superação: a Juventus, após ser rebaixada pelo escândalo de
arbitragem, está protagonizando o futebol na Velha Bota há duas temporadas com
excelente projeto e jogadores.
Os torcedores e,
principalmente, os rivais apenas veem o rebaixamento como um péssimo resultado
ao clube e não conseguem ver que ele traz benefícios. Ele ajuda o clube a
repensar seu método de administração, faz com que o clube volte a querer brigar
por grandes títulos e, algo que ninguém percebe, ele reaproxima o velho e bom
torcedor da entidade, pois o verdadeiro torcedor, após estar descrente por
causa do rebaixamento, vê que o clube precisa de sua ajuda mais do que nunca e
apoia com todas as suas forças.
Por isso, leitores, eu
digo que o rebaixamento faz bem. Muito bem. Ele é necessário para todo time que
ano após ano bate na porta do Z-4 e nunca melhora. É necessário para o clube
desestruturado politicamente e também que não protagoniza nada no futebol
nacional há tempos. Afinal, é na hora de dificuldade que mais aprendemos.
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