(Foto: Pitacos Modernos)
Como todo bom menino
brasileiro, eu já quis ser jogador de futebol. Já tive meus doze anos, onde
assistia aos jogos disponíveis no dia e me imaginava jogando ao lado dos
craques. Algo que me encantava era o Real Madrid com Zidane, Beckham, Ronaldo e
sua turma. Era lindo de ver, apesar de não ser uma equipe marcada por títulos.
Todavia, conforme fui
crescendo e jogando futebol em escolinhas da cidade, vi que eu não teria futuro
nisso. Sou lento e gordo, nem para ser a bola eu serviria. Mas o esporte estava
no meu sangue e eu precisava achar algo que eu gostasse tanto quanto jogar e
que me proporcionasse emoção tão forte quanto chutar a gorduchinha.
Em 2006, durante a Copa do
Mundo, eu comecei a reparar mais nos canais fechados de esporte, principalmente
na ESPN Brasil. Eu ficava horas assistindo seus programas e debates sobre a
competição e também sobre os outros eventos esportivos, mas principalmente no
mundo futebolístico. Naquele momento eu não sabia, mas estava descobrindo a
paixão pela minha futura profissão.
A maneira que seus
comentaristas expressavam suas opiniões, contavam os fatos e analisavam
precisamente cada lance, cada disposição tática ou até mesmo uma decisão errada
do treinador, me motivava a procurar mais informações sobre a profissão de
jornalista.
Quando eu percebi, já
estava aprendendo cada vez mais sobre como ser bem-sucedido nessa profissão e,
é claro, lendo livros de jornalistas renomados, sempre para pegar alguma
experiência, mesmo ainda estando um pouco longe da sonhada faculdade.
Funcionou. Hoje posso dizer que aprendi bastante, pois além da prática, é
necessário aprender desde pequeno, desde garoto, quando apenas assistimos aos
jogos por paixão. Afinal, um garotinho pode saber tanto ou até mais de futebol
que um jornalista de renome, pois possui mais tempo para ficar na frente da TV
ou da internet pesquisando sobre informações.
Entretanto, nos últimos
anos eu ando percebendo que o jornalismo esportivo brasileiro está um pouco
diferente do que era. Falta emoção. Os principais jornais e programa de TV,
também incluindo sites, preocupam-se em apenas em noticiar a notícia de fato e
o mesmo acontece com as transmissões esportivas. Não existe mais a imaginação
que era proporcionada anos atrás, onde os telespectadores apesar de estarem
lendo sobre algo possuíam uma versão diferente sobre o fato.
Isso é o que falta
atualmente no jornalismo. Todos já ouviram jogos por rádios e o narrador estava
empolgado em um lance com pouca importância. Era apenas lateral, mas para você
parecia que o jogador de seu time tinha driblado metade do time adversário. Um
exemplo disso é Pedro Ernesto Denardin, que narra com emoção até lance que o
juiz para o jogo para atendimento médico.
Recentemente, lendo o
livro “Jornalismo Esportivo”, de Paulo Vinicius Coelho, vi que ele também
sente falta disso. Em seu livro, até citou Nelson Rodrigues, que possuía toda
essa emoção característica que faz falta hoje.
Talvez devêssemos aprender
mais com os radialistas, pois sua criatividade e emoção são incríveis, algo que
só quem nasceu para essa função nasce sabendo. Seria bom se jornalistas de TV,
jornais e internet deixassem de apenas mostrar o lado verdadeiro da notícia,
mas também despertassem a imaginação do público, pois futebol além de ser algo
que necessita de exatidão, também merece paixão e imaginação de ambas as
partes.
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