domingo, 9 de dezembro de 2012

0 Carta do Olímpico para a Arena


Olá, filha! Não consigo expressar em palavras o sentimento que estou sentindo pelo teu nascimento e pelo show que fizeste na noite passada. É a maior alegria desde o dia que recebi a notícia de que tu nascerias.

Junto com minha felicidade, há o sentimento de tristeza e de perda, pois sei que não serei mais necessário ao time que agora tu representas. Mas como tudo na vida, há o tempo válido e o meu passou. Já tenho 58 anos e chegou a hora de aproveitar meu período idoso com minha aposentadoria. Mas antes de tudo, antes de descansar na eternidade de cada coração gremista, preciso te ensinar os últimos detalhes.

Quero que tu sejas valente, filha. Que não te entregues nos momentos difíceis e, assim como eu, sinta-se parte da torcida. Que coloques medo nos adversários e faça-os perceber que quando jogam em teu solo, dificilmente sairão vencedores, da mesma forma que fiz por muito tempo.

Sei que encantaste o mundo na noite passada, onde o Brasil todo e até mesmo nosso maior rival te aplaudiu. Espero que tu mantenhas esta beleza pura e sensacional, além de fazer todos nossos adversários curvarem-se perante a ti.

É bom dizer que deves ter o sentimento de imortalidade, assim como o nosso clube e assim como eu. Imortalidade, para nós, não significa que apenas não morras, mas que sejas indestrutível, que tu sejas o nosso escudo e o nosso ponto de paz. Que dentro de ti todos sintam que a morte jamais existiu, pois tu jamais permitirás que alguém mate a ti ou ao teu time.

Que tenhas a maturidade necessária para sediar grandes eventos, como eu também sediei e cumpri com excelente desempenho, mas que passes pelo dobro dessas glórias. Quando teu momento chegar, sei que estarás pronta e mostrarás que não és mais a minha criança, pois já és crescida e podes viver sem a minha totalitária presença.

Por fim, peço que jamais percas teu espírito de juventude e teu espírito de união que mostraste ontem. Que nem por um segundo deixe escapar a tua alegria. Até mesmo nos momentos tristes continue sorrindo, pois tu serás a torre de sustentação do teu time.

Seja feliz, filha! Mostre o teu valor e honre, assim como fiz, este clube. Saiba que em qualquer lugar que eu estiver, estarei olhando por ti e ainda fazendo parte da tua história.

Assinado,

Olímpico Monumental, teu bom e velho pai.

sábado, 24 de novembro de 2012

0 Scilly Football League: o menor campeonato de futebol do mundo

(Belo arquipélago das Ilhas Scilly. Foto: Reuters)

As Ilhas Scilly, também conhecidas como Ilhas Sorlingas, localizam-se no sudoeste da península da Cornualha, na Inglaterra e formam um pequeno arquipélago de três mil habitantes. Apesar de possuir um território muito pequeno, ela atrai a atenção por uma curiosidade enorme: possui o menor campeonato de futebol do mundo, com apenas dois participantes.

O país conta com as equipes Woolpack Wanderers e Garisson Gunners, que disputam vinte jogos entre si por quatro competições. Com isso, a pequena ilha se dá ao luxo de ter um clássico por semana. Entretanto, como os times são amadores, o método de contratações é bastante confuso: no início da época joga-se cara ou coroa (sim, isso mesmo) e o vencedor escolhe um goleiro e o perdedor escolhe o zagueiro. Essa repetição acontece até que todas as equipes estejam formadas para a temporada.

A temporada de 2012/2013 começou em outubro que, assim como na Inglaterra, tem a Charity Shield como primeira disputa. O campeonato nacional também está em andamento e em breve entrarão em disputa outros dois títulos: a Wholesalers Cup e a Foredeck Cup, está última é disputada em jogos de ida e volta, mas sem a regra dos gols fora de casa, pois a ilha possui apenas um campo de futebol.

Até o momento aconteceram seis clássicos que resultaram em três vitórias de cada time, o que mostra que as equipes ficam bem equilibradas, mesmo com um método de escolha inusitado. Para manter a liga em atividade os jogadores precisam pagar uma taxa, assim como ocorre em campeonatos amadores de todo o globo. Lá eles usam a velha máxima: “If you don’t pay, you don’t play” (se você não pagar, você não joga).

A matéria original se encontra no site Mais Futebol, de Portugal.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

0 Qual o seu melhor momento no estádio de futebol?

(Galego, autor do gol, durante a partida. Foto: Futebol Interior)
Muitas pessoas possuem boas memórias de uma partida de futebol, principalmente daquela ida especial ao estádio da sua cidade. Normalmente, isso é marcado por uma lembrança de família ou por momentos marcantes da equipe que você torce. Você nunca irá esquecer isso e lembrará como se tivesse ocorrido no dia anterior.

No dia 07 de setembro de 2009 aconteceu minha melhor lembrança futebolística em um estádio de futebol. A partida era entre Brasil de Pelotas e Caxias, pela Copa da FGF e o Brasil-PEL saiu vencedor por 1 a 0 com gol do lateral Galego. Entretanto, esses fatos não são motivos para essa partida ser marcantes, mas a história a seguir é.

Por volta das 11h daquele dia minha irmã sugeriu que fossemos ao jogo, como eu gostaria de assistir, aceitei. Logo depois, ela convidou minha mãe que nunca havia entrado em um estádio de futebol e ela, surpreendentemente, também aceitou. Ali estava começando um dia que nunca esqueceria.

O jogo começaria às 16h, então perto das 14h nos dirigimos ao estádio Bento Freitas. Era um dia lindo de sol, mas quando chegamos à esquina do estádio começou simplesmente e repentinamente o maior temporal do ano. E jogo com chuva é sempre melhor.

Ao entrar no estádio, fomos para arquibancada, mesmo com bastante chuva. Minha irmã, mãe e eu estávamos esperando começar a partida. No primeiro tempo nada de especial acontecera exceto alguns raios e uma defesa bonita do goleiro adversário.

Quando estava chegando os 30 minutos da segunda etapa, o Caxias cometeu um pênalti e Galego fora para a cobrança. Gol. Eu pulava e abraçava minha mãe com extrema felicidade, e via que a alegria também era proporcionalmente recíproca. Momento emocionante que me fez ter o choro mais espontâneo da minha vida.

Quando o jogo acabou, voltamos para a casa com um sorriso no rosto. A partida não havia sido das melhores, mas lá no fundo eu sentia que foi melhor do que assistir a final da Copa do Mundo. Afinal, minha mãe e minha irmã estavam ao meu lado em um lugar que fico muito feliz.

Essa foi a primeira e última vez que fui a um jogo de futebol com minha mãe. Hoje, ela não está mais entre nós, mas eu nunca esquecerei momentos como esse que ela me proporcionou. Isso ainda me aproxima muito dela, algo que apenas o futebol pode me fazer.

Obrigado, futebol! Obrigado, mãe! Esse dia jamais será esquecido e posso dizer que está entre os mais felizes da minha vida.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

0 O rebaixamento pode fazer bem?

(Torcida do Corinthians lamentando o rebaixamento. Foto: G1)

Jogar a segunda divisão nacional está longe dos planos no início do ano de qualquer clube, principalmente daqueles considerados grandes. Nem o mais pessimista torcedor imagina que sua equipe infelizmente será atingida pelo descenso. Talvez, apenas a torcida do maior rival deseje isso, mas no fundo ela também sabe que isso é difícil de acontecer, pois existe a velha máxima: “Time grande não cai”. O que é errado, pois time grande cai.

O rebaixamento é, de longe, o maior pesadelo de um grande clube, principalmente no Brasil, onde ainda há muito preconceito com equipes que foram rebaixadas. Esse triste fato não acontece por um acaso, mas muitos não percebem isso. Caso seu time vá para a segunda divisão, é preciso analisar o que há por dentro do clube. Ele pode estar vivendo um período político conturbado, estar enfrentando uma grave crise política, ter investido em jogadores errados ou até mesmo a soma desses três fatos durante anos.

Sabemos que junto com o rebaixamento também acontecem vários pontos negativos: é preciso reduzir o preço do ingresso, contratar jogadores menos conhecidos e, infelizmente, aceitar que seu time sumirá de combate internacional por algum tempo. Todavia, poucos sabem que o infeliz descenso também pode ter seus pontos positivos.

Nos últimos anos muitas equipes consideradas grandes foram rebaixadas e poucas não aproveitaram essa experiência triste, para citar exemplos de grandes que enfrentaram a pocilga do futebol nacional: Fluminense, que disputou até a Série C, Botafogo, Palmeiras, Vasco, Corinthians, Grêmio e Atlético-MG. Entre esses clubes, apenas o Botafogo não usou benefícios do rebaixamento.

Os melhores exemplos de clubes que conseguiram usar a descida para Série B como ponto positivo são o Grêmio, o Vasco e o Corinthians, mas em médio prazo todos conseguiram aprender com seus erros passados, menos o Botafogo.

O Grêmio, quando foi rebaixado em 2004, também não havia feito bom campeonato em 2003, quando também brigou até o fim na posição ingrata. Em 2005, quando precisou disputar a Série B, não contava com dinheiro e nem ao menos com prestígio, tanto que precisou fazer um novo time para disputar a competição. Após um acesso difícil, no primeiro ano de volta na elite do futebol do Brasil, conseguiu uma classificação heroica para a Libertadores. Quando disputaram a competição, liderados por Tcheco e com Mano Menezes em excelente momento, chegaram à final e perderam para o Boca Juniors. Nos anos seguintes conquistaram o Gauchão, foram a duas semifinais de Copa do Brasil e um vice-campeonato Brasileiro. Isso mostra que o clube, apesar de não ter ganhado títulos de expressão, voltou a brigar por eles.

O Vasco e o Corinthians também conseguiram boa recuperação e até melhor. O Vasco conseguiu triunfar em 2011 com a Copa do Brasil e ainda levou o vice-campeonato do Brasileirão para São Januário. Em 2012 chegou nas quartas de final da Libertadores, quando foi eliminado pelo próprio Corinthians.

O Timão, por sua vez, foi quem mais aproveitou seu período negro: quando voltou para a elite conquistou a Copa do Brasil e em 2011 o Brasileirão. Em 2012, após toda sua história de espera, o clube conseguiu conquistar a tão sonhada Libertadores da América.

Fluminense e Palmeiras também conseguiram títulos importantes, como a Copa do Brasil do Verdão e o Brasileirão do Fluminense, que está próximo de conquistar outro. Entretanto, a queda do Fluminense já aconteceu há muito. O Atlético-MG parecia que não havia aprendido com o descenso, pois sempre brigava para não cair, entretanto, nessa temporada está mostrando que superou os anos de má fase e novamente está brigando por títulos.

No velho continente também existe o exemplo de superação: a Juventus, após ser rebaixada pelo escândalo de arbitragem, está protagonizando o futebol na Velha Bota há duas temporadas com excelente projeto e jogadores.

Os torcedores e, principalmente, os rivais apenas veem o rebaixamento como um péssimo resultado ao clube e não conseguem ver que ele traz benefícios. Ele ajuda o clube a repensar seu método de administração, faz com que o clube volte a querer brigar por grandes títulos e, algo que ninguém percebe, ele reaproxima o velho e bom torcedor da entidade, pois o verdadeiro torcedor, após estar descrente por causa do rebaixamento, vê que o clube precisa de sua ajuda mais do que nunca e apoia com todas as suas forças.

Por isso, leitores, eu digo que o rebaixamento faz bem. Muito bem. Ele é necessário para todo time que ano após ano bate na porta do Z-4 e nunca melhora. É necessário para o clube desestruturado politicamente e também que não protagoniza nada no futebol nacional há tempos. Afinal, é na hora de dificuldade que mais aprendemos.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

0 O que falta no jornalismo esportivo atual?

(Foto: Pitacos Modernos)

Como todo bom menino brasileiro, eu já quis ser jogador de futebol. Já tive meus doze anos, onde assistia aos jogos disponíveis no dia e me imaginava jogando ao lado dos craques. Algo que me encantava era o Real Madrid com Zidane, Beckham, Ronaldo e sua turma. Era lindo de ver, apesar de não ser uma equipe marcada por títulos.

Todavia, conforme fui crescendo e jogando futebol em escolinhas da cidade, vi que eu não teria futuro nisso. Sou lento e gordo, nem para ser a bola eu serviria. Mas o esporte estava no meu sangue e eu precisava achar algo que eu gostasse tanto quanto jogar e que me proporcionasse emoção tão forte quanto chutar a gorduchinha.

Em 2006, durante a Copa do Mundo, eu comecei a reparar mais nos canais fechados de esporte, principalmente na ESPN Brasil. Eu ficava horas assistindo seus programas e debates sobre a competição e também sobre os outros eventos esportivos, mas principalmente no mundo futebolístico. Naquele momento eu não sabia, mas estava descobrindo a paixão pela minha futura profissão.

A maneira que seus comentaristas expressavam suas opiniões, contavam os fatos e analisavam precisamente cada lance, cada disposição tática ou até mesmo uma decisão errada do treinador, me motivava a procurar mais informações sobre a profissão de jornalista.

Quando eu percebi, já estava aprendendo cada vez mais sobre como ser bem-sucedido nessa profissão e, é claro, lendo livros de jornalistas renomados, sempre para pegar alguma experiência, mesmo ainda estando um pouco longe da sonhada faculdade. Funcionou. Hoje posso dizer que aprendi bastante, pois além da prática, é necessário aprender desde pequeno, desde garoto, quando apenas assistimos aos jogos por paixão. Afinal, um garotinho pode saber tanto ou até mais de futebol que um jornalista de renome, pois possui mais tempo para ficar na frente da TV ou da internet pesquisando sobre informações.

Entretanto, nos últimos anos eu ando percebendo que o jornalismo esportivo brasileiro está um pouco diferente do que era. Falta emoção. Os principais jornais e programa de TV, também incluindo sites, preocupam-se em apenas em noticiar a notícia de fato e o mesmo acontece com as transmissões esportivas. Não existe mais a imaginação que era proporcionada anos atrás, onde os telespectadores apesar de estarem lendo sobre algo possuíam uma versão diferente sobre o fato.

Isso é o que falta atualmente no jornalismo. Todos já ouviram jogos por rádios e o narrador estava empolgado em um lance com pouca importância. Era apenas lateral, mas para você parecia que o jogador de seu time tinha driblado metade do time adversário. Um exemplo disso é Pedro Ernesto Denardin, que narra com emoção até lance que o juiz para o jogo para atendimento médico.

Recentemente, lendo o livro “Jornalismo Esportivo”, de Paulo Vinicius Coelho, vi que ele também sente falta disso. Em seu livro, até citou Nelson Rodrigues, que possuía toda essa emoção característica que faz falta hoje.

Talvez devêssemos aprender mais com os radialistas, pois sua criatividade e emoção são incríveis, algo que só quem nasceu para essa função nasce sabendo. Seria bom se jornalistas de TV, jornais e internet deixassem de apenas mostrar o lado verdadeiro da notícia, mas também despertassem a imaginação do público, pois futebol além de ser algo que necessita de exatidão, também merece paixão e imaginação de ambas as partes.

0 Erros de arbitragem: e se fosse com o seu time?

(Arbitragem sendo pressionada após erro. Foto: Ramon Bitencourt)

A arbitragem brasileira não está vivendo um bom momento, talvez seja o pior desde o escândalo de 2005. Nas últimas dez rodadas do Brasileirão isso está ficando pior e com erros cada vez mais grotescos, além disso, a falta de critério entre os árbitros também está assombrosa.

Deixando a paixão pelo clube de lado, podemos ver que todos os clubes são ajudados e prejudicados, mas não nas mesmas proporções. Isso, com toda a certeza, está manchando o melhor Campeonato Brasileiro de todos os tempos, infelizmente.

Talvez o problema seja a falta de profissionalismo, a falta de preparo desses árbitros ou, até mesmo, a falta de critério. Lances que um árbitro X entende como invalido, o árbitro Y valida. Deveriam aprender mais com os europeus, principalmente com os alemães.

Contudo, existe aquele pessoal que apenas reclama e que sempre vê seu time de coração como o maior prejudicado, o que na maioria das vezes não é verdade. Também há aqueles que ficam irritados com os que reclamam e não entendem o motivo disso. Para isso, vamos imaginar o seguinte fato.

“24 de abril de 2018. Há 30 minutos encerrou-se mais uma edição do Campeonato Brasileiro, onde o seu time conquistou o título mais uma vez. A glória foi conseguida apenas na última rodada, em confronto contra o maior rival, após árdua partida que só foi decidida aos 43 minutos, com gol do maior ídolo atual do clube, que voltara da Europa na janela do meio do ano.

Muitos especialistas julgaram esse como o campeonato mais emocionante da história dos pontos corridos, que começara em 2003. Após o hexacampeonato da Copa do Mundo conquistado em 2014 e a primeira medalha de ouro nas Olimpíadas de 2016 o Brasil está repleto de craques, tais como: Robinho, Kaká, Pato, Sérgio Ramos, Casillas e Ibrahimovic. Este último foi o artilheiro disparado, com 38 gols marcados em 38 partidas.

Entretanto, nem tudo são flores: o campeonato também foi marcado pelos constantes erros de arbitragens, que causaram a anulação de todo o primeiro turno da competição. Por causa disso, todos os árbitros da Série A foram banidos e, para seus lugares, foram chamados árbitros europeus, até que fossem preparados melhores profissionais nacionais.

Com a vitória do seu time contra o maior rival, o campeão ficou apenas um ponto na frente do segundo colocado. Todavia, se o primeiro turno não houvesse sido anulado, o segundo colocado teria sido campeão com, no mínimo, cinco jogos de antecedência e o seu maior rival conseguiria facilmente uma vaga pra Libertadores, ao contrário do que aconteceu, pois brigaram contra o rebaixamento, conseguindo o alívio apenas perto do fim do campeonato. Já o seu time, caso fossem mantidos os resultados do primeiro turno, estaria rebaixado desde a 34ª rodada.

Apesar de o campeonato ter chego ao final, não parece que acabará, de fato, tão cedo. O STJD está com muitos pedidos de anulação do campeonato, pois foi considerado uma baderna. Muitos times sentiram-se prejudicados, exceto aqueles que foram beneficiados, como o seu time.

A mídia europeia está totalmente atenta ao que se passa aqui e, devido aos erros de arbitragem e possíveis compras de jogos no primeiro turno, estão pedindo investigação na Copa do Mundo de 2014 e na Olimpíada de 2016, ambas que o Brasil saiu vencedor. É um caos jamais visto na história do país e, talvez, do futebol.

Jornalistas dizem que tudo terminará em pizza, apesar de muitos tentarem resolver. O problema é que a Libertadores também foi adiada, pois o Campeonato terminou apenas em 2018. Portanto, é preciso que os classificados ao final de hoje, sejam classificados ao torneio, se não, o Mundial Interclubes também estará ameaçado. Com isso, o seu time, que poderia ter sido rebaixado, conseguiu uma heroica classificação para a Libertadores, dez anos depois de sua última participação. Já o seu maior rival, que havia disputado todas as edições desde 2010, inclusive vencendo em 2015, estará de fora devido aos erros dos juízes.

O seu maior rival havia investido forte para a competição, conseguindo contratar grandes estrelas europeias que ficaram interessadas em jogar no Brasil. O problema é que contavam com um título de expressão ou ao menos a vaga para a Libertadores, mas não aconteceu. Com uma folha salarial passando dos oito milhões de reais mensais o clube está passando por muitas dificuldades financeiras e é cogitado que feche as portas, mais de cem anos depois de sua fundação.

Já o seu time, que apostou em jogadores da base e contratou apenas um reforço de peso, que era justamente o maior ídolo atual do clube, elevou-se em fama e respeito internacional. Gastando pouco mais de dois milhões de reais por mês, o clube conseguiu bons patrocínios e, o que deveria ser um planejamento de baixo custo para a Série B, virou um grande plano de conquista da Libertadores de 2018.

Em entrevista para nossa redação, Ricardo Teixeira, que assumiu o STJD há nove meses, declarou que dificilmente a instituição tomará alguma medida no caso, pois complicaria mais ainda. O que deve ser feito é a extinção dos Campeonatos Estaduais e o calendário nacional irá adequar-se ao da Europa. O que muita gente já quis, mas não dessa forma.”

E se essa triste história, que eu desejo que passe longe daqui, acontecesse com o seu time, caro leitor? Você iria lembrar-se do ano de 2012, quando seu time também foi prejudicado ou quando você desdenhou de quem reclamava?

A arbitragem brasileira está estragando um lindo campeonato e não falo isso por causa de meu time de coração. Falo, sim, pelo gosto que tenho do bom futebol, pelos amigos que fiz nesse ramo e que sofrem pelos seus clubes mais do que deveriam. Também falo porque ainda acredito na honestidade desse esporte e acho que ele pode ser muito maior do que os que tentam acabar com ele.

Espero que em breve os árbitros tornem-se mais profissionais e adotem um critério a ser seguido sempre, independentemente de quem estiver apitando. Também desejo que ano que vem não aconteçam tantos erros e que sejam um campeonato melhor ainda. Esse ano? Que vença o melhor, mas que não aconteçam mais erros, apenas isso que eu desejo.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

0 Manchester City: de vez na Europa?

(Foto: EPTalk)

Desde que foi comprado por Takshin Shinawatra, em 2006, muita coisa mudou na vida do clube. Começaram a frequentar diariamente os tabloides mundiais, aumentaram suas rendas, ganharam novos torcedores e, obviamente, atraíram o interesse de melhores jogadores.

Quando as primeiras contratações foram chegando para a temporada 07/08, tais como: Sven-Göran Eriksson, Rolando Bianchi e Elano, nunca era esperado que em tão pouco tempo o clube frequentasse a elite de times europeia, pois se tratava de reconstruir um time, não apenas de colocar peças de excelente qualidade.

Logo nos primeiros confrontos da temporada o City mostrou-se forte, principalmente contra o seu maior rival, o Manchester United. No primeiro turno os Citizens frequentaram por todo o tempo o primeiro turno o topo da tabela, mas, infelizmente, não deram continuidade no restante do campeonato. Caíram pelas tabelas de uma maneira brusca, até mesmo sendo goleado por clubes abaixo de seu poderio técnico, como o Middlesbrough, que foi rebaixado naquele ano.

Quando Shinawatra resolveu vender o City para a Abu Dhabi United, o clube aumentou mais ainda seu patamar. Com pouco tempo para agir, o lunático novo dono tentou a contratação de Berbatov, Ronaldo Fenômeno, Cristiano Ronaldo e Fàbregas, todavia, nenhum desses jogadores desembarcou no City of Manchester. Mas ainda havia uma cartada para ser a grande contratação da temporada 08/09: Robinho, que estava insatisfeito no Real Madrid e estava próximo de assinar com o Chelsea, acabou indo para o time azul de Manchester, por cerca de 40 milhões de libras.

A partir dessa contratação, o City começou a ganhar destaque nesse ponto, pois ainda chegaram craques como Tévez (Man Utd), Adebayor e Kolo Touré (Arsenal) que, obviamente, acrescentariam muito mais qualidade do que havia no elenco e mostrava o poder dos Sky Blues de tirar jogadores de seus rivais. Os craques estariam prontos para jogar a temporada de 09/10!

O simples fato de almejar e contratar jogadores deste porte, já colocava o Manchester City como uma das potencias europeias e aumentava seus números de vendas massivamente. Entretanto, ainda faltava o principal do futebol: títulos.

(Foto: Site oficial)

Todavia, mesmo com essas excelentes contratações, não conseguiram uma boa campanha na Premier League e perderam a vaga na tão sonhada UEFA Champions League, ou seja, seu dono precisava investir ainda mais. Então, para a temporada 10/11, não deixou barato: J. Boateng, Yaya Touré, Kolarov, David Silva, Milner, Balotelli e o conceituado treinador Roberto Mancini também chegariam para tentar levar o clube à glória máxima.

O esforço trouxe recompensa, pois o clube, depois de 35 anos sem vencer um título, acabou levando a FA Cup para o lado azul da cidade, vencendo o Stoke City na final.

Para continuar sua caminhada de títulos, o Manchester City ainda contrataria, após o final da Premier League, alguns grandes reforços para a próxima temporada, mas principalmente contaria com o apoio do excelente Samir Nasri, que veio do Arsenal e o grande atacante Agüero, do Atlético de Madrid. A torcida sentia que dessa vez o clube venceria algo importante, não apenas um título como a FA Cup.

Assim que os jogos começaram, o favoritismo do City foi ficando cada vez mais evidente, principalmente em jogos contra seus maiores rivais. No dia 23 de outubro, quando enfrentaram o Manchester United em pleno Old Trafford, aplicaram uma sonora goleada por 6 a 1. Mas, como nem tudo são flores, o City sofreria até a última rodada.

(Foto: Telegraph)

Para conseguir o seu tão sonhado título da Premier League 11/12, o City precisaria vencer o Q.P.R, mas o pequeno clube dificultou a partida até o último minuto da partida, quando Agüero virou o jogo e consagrou a temporada dos Sky Blues!

Quando o City conseguiu a classificação para a UCL, com toda a certeza não esperava cair em um grupo da morte. Infelizmente, o clube foi sorteado para disputar junto com Borussia Dortmund (ALE), Real Madrid (ESP) e Ajax (HOL) duas vagas para a próxima fase.

Por fim, chegou o dia tão esperado! Os Citizens jamais, talvez, irão esquecer o dia 18 de setembro de 2012, quando estrearam na UCL contra o todo poderoso Real Madrid em pleno Santiago Bernabéu.

Quando Dzeko abriu o placar para a equipe inglesa, já depois da metade do segundo tempo, poucos acreditavam em uma reação merengue. Atrás, mesmo com o nervosismo de Nastasic, Hart estava salvando e fazendo uma de suas melhores partidas.

Apesar de ter levado o empate, com gol do brasileiro Marcelo, pouco tempo depois, em uma cobrança de falta confusa, Kolarov mandou a bola para o fundo do gol e, de novo, o City estava em vantagem. Entretanto, um minuto depois Benzema deixaria tudo empatado novamente. Com toda a certeza, nem o mais pessimista torcedor do City acreditava em uma virada do Real Madrid faltando poucos minutos para o fim do jogo, porém, esqueceram que a equipe Merengue possui Cristiano Ronaldo que, apesar de ser marrento, possui estrela. Em um chute que contou com a falha de Kompany, ao não desviar de cabeça, e também de Hart, o jogo estava virado. Fim de jogo. O City, em sua terceira estreia de Champions League, não conseguia vencer novamente.

Todavia, ficou a prova de que o elenco é forte e pode fazer frente com os maiores times do continente. Apesar de alguns erros de Mancini, como colocar o jovem Nastasic para estrear logo contra o Real Madrid no Bernabéu lotado, há mais pontos positivos do que negativos do jogo. Apenas, se é que posso dizer isso, podemos culpar os deuses do futebol pela derrota deste tão galáctico time, tanto quanto quem originou este termo e, naquela partida, saíra vencedor.

Esse é o City, essa é a nova cara do futebol. O futebol moderno. Sim, digo eu, o City está de vez consolidado na Europa e muita coisa boa vem por aí.